terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

2.124 - NÃO SEI.

Autor: Erivaldo Alencar.

Letra: 14 02 2017 e música:


Sou filho da natureza
Mas não sei se eu nasci
Morei em muitos lugares
Em nenhum deles vivi
Existo mas não existo
Se existo me esqueci.

Se nasci ou fui gerado
Disto ainda eu não sei
Onde nasci ou não nasci
Nem pra mim mesmo direi
De onde vim pra onde vou
Não sei se descobrirei.

Minha vida não é vida
Nela vivo por viver
A alegria que é boa
Ainda estou pro saber
Se vivo ou vegeta a vida
Ninguém veio me dizer.

Vida que quero viver
Pra mim é desconhecida
Como e onde buscar
A vida comprometida
Como que posso viver
Se não sei se tenho vida.

Dizem que eu tenho vida
Como que posso provar?
Não sei se sou ou já fui
Só tenho que indagar
Ou se ainda eu vou ser
Se não sei me identificar.

Talvez se me beliscarem
Vou sentir o beliscão
E se caso não sentir
Continuo na ilusão
Vivo ou deixo de viver
Esta a maior questão.

Quem vive a vida se enxerga
Não sei se já me enxerguei
Para mim tudo é dúvida
Quando e como saberei
Se fui ou sou ou serei
Eu garanto que não sei.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

2.123 - APOSENTADORIA É O COMEÇO DO FIM.

Autor: Erivaldo Alencar.

Letra: 12 02 2017 e música:


Primeiro somos gerados
Depois vem o nascimento
Criança e adolescência
Na fase de crescimento
Juventude e fase adulta
Depois o envelhecimento.

Depois que a gente nasce
A vontade e crescer
Para se tornar adulto
E adquirir o poder
Para ter a liberdade
Para o que quiser fazer.

Muitos planos são traçados
Para toda vida inteira
Buscando alcançar conquistas
Subindo descendo ladeira
Pra chegar aonde quer
Enfrenta qualquer barreira.

Logo busca um emprego
Pra começar trabalhar
Pra fazer sua vontade
Tem que dinheiro ganhar
Com responsabilidade
Sua família sustentar.

Com o ganho no trabalho
Tenta economizar
Enfrentando os desafios
Na esperança de enricar
Pagando contribuições
Pra poder se aposentar.

Mas quando chega a idade
Busca aposentadoria
Receber sem ter trabalho
Sua maior alegria
A grana do benefício
É quem lhe dá garantia.

Poder se aposentar
É nosso direito sim
Mas deixar de trabalhar
Trás conseqüência ruim
Pois aposentadoria
É o começo do fim.

Tem gente que se aposenta
E deixa de trabalhar
Sentado numa cadeira
Pernas começam inchar
As juntas logo endurecem
Impedindo de andar.

Fortes dores aparecem
No corpo e em toda parte
Reumatismo toma conta
E corre risco de enfarte
Dormindo de boca aberta
As moscas fazendo arte.

Também sou aposentado
Mas inda trabalho sim
Pra aqueles que não trabalham
Volto repetir assim
Pois aposentadoria
É o começo do fim.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

2.122 - SEI QUE NÃO SOU, MAS POSSO SER.

Autor: Erivaldo Alencar.

Letra: 11 02 2017 e música:


Somente hoje descobri
Que não sou que pensava ser
Foi muito bom assim saber
Não foi pra ser que eu nasci
Só de sonhos tenho vivido
Mas do mundo sou esquecido
Pois não tenho utilidade
Para mim o mais lamentável
É saber que sou descartável
No seio da sociedade.

Estou cansado das promessas
Que fizeram e não cumpriram
Propositalmente mentiram
Pra que o tolo caísse nessas
Fui infeliz por confiar
Em quem prometeu ajudar
Dando-me oportunidade
Por recompensa não fui lembrado
E brutalmente fui trocado
Por alguém sem capacidade.

Reconheço que sou pequeno
Inda assim tenho meu valor
Não imaginam tamanha dor
Peço água e me dão veneno
A sociedade não me ver
Que faço jamais quer saber
Por pequenos sou reconhecido
Minha aparência ao mundo desgosta
Infelizmente ninguém aposta
Em quem na vida foi vencido.

Que adianta ouvir elogios
Das marcas deixadas no passado
No presente me achar de lado
Inútil pra enfrentar desafios
Eu já perdi a esperança
De me atribuir confiança
Pra qualquer trabalho exercer
Sou capaz e afirmo sim
Se não confiarem em mim
Nada útil poderei fazer.

Estou aqui no meu barraco
Esperando que alguém me veja
O que este poeta mais deseja
Não é tá preso neste buraco
Quero ser útil e produzir

Alguém que em eu investir
Jamais irá se arrepender
Quero provar pra minha terra
Que quem nasceu num pé de serra
Se deixar também sabe fazer.

Sem uma oportunidade
Não saberão que sou capaz
Estou perdendo minha paz
Por falta de credibilidade
Não quero lugar de ninguém
Eu só quero me sentir bem
Fazendo aquilo que sei fazer
Mostrando minha habilidade
E dizer pra sociedade
Sei que não sou, mas posso ser.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

2,121 - O FARDO QUE CARREGO.

Autor: Erivaldo Alencar.

Letra: 10 02 2017 e música.


Cada passada que dou
Buscando vida melhor
É uma passada perdida
Tornando a vida pior
Invés de diminuir
Meu sofrer fica maior.

Tou me sentindo menor
Diante do meu fracasso
Os meus sonhos são em vão
Em tudo me embaraço
Por mais que eu busco só somo
Derrotas em cada passo.

Meu Deus o que é que faço
Pra me tornar vencedor
Preciso da tua ajuda
Misericórdia Senhor
Não olhe pra minhas faltas
Salva este sofredor.

Eu sei que sou pecador
Muito pecado cometi
Somei vitórias e derrotas
O tempo passou e não vi
Reclamo das dificuldades
Das conquistas esqueci.

Quando pra o mundo nasci
Trouxe esperança comigo
De ser sábio vencedor
Ser amigo do amigo
Por andar fora dos trilhos
Hoje recebo castigo.

Eu sou meu próprio inimigo
Piso em falso e escorrego
Perdi meu próprio controle
Sou derrotado e não nego
Obrigo-me a suportar
O fardo que eu carrego.



Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

2.120 - NÃO VOU MORRER PARA DE VIDA MUDAR.

Autor: Erivaldo Alencar.

Letra:  09 02 2017 e música:

A vida é muita boa
Não há de que reclamar
Uma dádiva divina
Tenho-a que preservar
Vivo bem e não preciso
De minha vida mudar.

Somente vou precisar
Melhorar as condições
Pra que possa viver bem
Cumprindo as obrigações
Amando e defendendo-a
Sem cair em tentações.

Não alimento ilusões
De outra vida melhor
Pois é esta que conheço
Não há outro dom maior
Mudar desta para outra
Poderá ser bem pior.

Viver esta é melhor
Quie por mim é conhecida
No passado e no presente
Tive subida e descida
Não quero morrer tão cedo
Pra poder mudar de vida.

Eu bem sei que esta vida
Um dia vai acabar
Também sei que desafios
Eu terei de enfrentar
Eu jamais quero morrer
Para de vida mudar.

Nunca vieram contar
Se é bom ou ruim morrer
Morreu filhos, pais e irmãos
E não vieram me dizer
Por acaso o que é melhor
Se é morrer ou viver.

Não tenho como saber
Nenhum morto veio contar
Os vivos dizem o que querem
Mas não há como provar
Decidi não vou morrer
Para de vida mudar.



Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

2.119 - EU SOU FELIZ DE VERDADE.

Autor: Erivaldo Alencar;

Letra: 05 02 2017 e música:


Imagine as pessoas
Gozando felicidade
No campo e na cidade
Vivendo com gentes boas
Gozando muita saúde
No esplendor da plenitude
Sem passar necessidade
Sem jamais ter que sofrer
Bater no peito e dizer
Eu sou feliz de verdade.

Imagine o sertanejo
Trabalhando lá na roça
Morando numa palhoça
Realizando seu desejo
Viver da agricultura
Casa cheia de fartura
Em paz fazendo a vontade
E sem a ninguém dever
Bater no peito e dizer
Eu sou feliz de verdade.

Imagine o cantador
Tocando em sua viola
Tirando versos da cachola
Como bom improvisador
Fazendo o povo sorrir
A galera o aplaudir
No campo e na cidade
E sem a nada temer
Bater no peito e dizer
Eu sou feliz de verdade.

Imagine o soldado
Fazer o patrulhamento
Com pesado armamento
E prender o procurado
Levar pra delegacia
O cara que mais queria
Colocar a trás da grade
Após cumprir o dever
Bater no peito e dizer
Eu sou feliz de verdade.

Imagine o poeta
Sentar diante da mesa
Pegar lápis com leveza
Escrever em linha reta
E o seu pior problema

Descrevê-lo em poema
Com toda serenidade
Pra o primeiro que ler
Bater no peito e dizer
Eu sou feliz de verdade.

Imagine o vaqueiro
Montado em seu cavalo
De longe ouvir o estalo
Do veloz boi mandingueiro
No mato fazer regaço
Do boi seguindo o passo
Em toda velocidade
Depois que o bicho prender
Bater no peito e dizer
Eu sou feliz de verdade.

Imagine o solteiro
Que nunca amou na vida
Buscando a prometida
Que lhe dê o primeiro cheiro
Encontrar uma morena
E dizer vem cá, pequena,
Ser minha cara metade
Ela lhe diz comprazer
Bater no peito e dizer
Eu sou feliz de verdade.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

2.118 - O POETA CONSCIENTE.

Autor: Erivaldo Alencar.

Letra: 05 02 2017 e música:


Não estou pra criticar
Tão pouco pra elogiar
Apenas tento contar
O fato que for verdade
Sou poeta escritor
Cidadão respeitador
Como historiador
Narro com dignidade.

Eu nasci lá no sertão
Poeta de tradição
Com a caneta na mão
Escrevo o que bem quiser
Defendo minha cultura
Faço verso com lisura
Meus versos ninguém censura
Pois faço como Deus quer.

Eu sei que não sou perfeito
Mas tento escrever direito
Quem é que não tem defeito
E escreva sem errar
Na profissão do repente
Tento versar consciente
O leitor inteligente
Jamais vai me ignorar.

Aquele que escreve bem
Não fala mal de ninguém
Se caso vier alguém
Pedir orientação
Com todo amor e prazer
Passa todo seu saber
Para o outro aprender
Esta linda profissão.

Sou filho de cantador
Sou poeta escritor
Tento mostrar meu valor
Sem tocar e sem cantar
Eu possuo um violão
E um teclado então
Não uso um dedo da mão
Pois não aprendi tocar.

Mesmo sem ser repentista
Considero-me artista
Um poeta cordelista
Que nasceu pra escrever

Tenho o mundo em minhas mãos
Poetas são cidadãos
Que vivem como irmãos
Repassando o seu saber.

Poeta é peregrino
Poetizar é seu destino
Dotado de dom divino
De versar em poesia
Onde vai leva prazer
Faz a tristeza esquecer
O mal desaparecer
E faz voltar à alegria.

Na literatura poética
Não pode ferir a ética
Defender tese profética
Tem que ter sabedoria
No que faz ter segurança
Domínio alto confiança
Amizade e liderança
Zelo pela categoria.

O poete consciente
Ter que ser inteligente
Pra poder fazer repente
Sem denegrir a ninguém
Faz o verso tarimbado
Eloqüente bem rimado
Estético metrificado
Da forma que lhe convém.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.