sábado, 9 de março de 2024

3.210 – HOJE ACORDEI COM SAUDADE.

 

HOJE ACORDEI COM SAUDADE.

 

Autor: Erivaldo Alencar.

 

Letra: 09 03 2024.

 

Hoje acordei com saudade

Da minha querida terra

Do meu velho pé de serra

Minha naturalidade

Meu querido Comboeiro

De um povo hospitaleiro

Onde nasci me criei

Com meus pais e meus irmãos

Plantando e colhendo grãos

No lugar onde morei.

 

De taipa era a casinha

Onde nasci me criei

Nos bons tempos passei

Ao lado da mamãezinha

Meu papai agricultor

Repentista cantador

Homem de muito respeito

Pecuarista criador

Também foi vereador

E interino prefeito.

 

Hoje acordei com saudade

Da minha gente querida

Com minha alma sentida

Por morar aqui na cidade

Distante da minha gente

De amigoS e de parente

Do esplendor da natureza

Por deixar em meu lugar

O meu amor a chorar

Por abandono e tristeza.

 

Com saudade acordei

Do meu tempo de criança

No meu peito a lembrança

Chorando me levantei

Abri a porta e sai

Confesso nem percebi

Que estava de pés no chão

Me dispus a caminhar

Tentando amenizar

A dor no meu coração.

 

Saudade invade meu peito

Dos caminhos que passei

Das moças que namorei

Esquecer não tenho jeito

Do véu lindo estrelado

E das boiadas de gado

E do luar cor de prata

Da verde mata do campo

Dos faróis do pirilampo

Das noites de serenata.

 

Do meu pai em cantoria

Seriemas em duetos

Ninhos feitos de gravetos

A cauã em harmonia

Do romper da madrugada

Ao cantar da passarada

Raios dourados do sol

Mãe da numa estaca

Barulhos da curicaca

Das flores do girassol.

 

Hoje acordei com saudade

Dos valentes bem-te,vis

Dos gansos, das juritis

Do calor e a claridade

Da panha do algodão

E das noites de São João

Forró e Maneiro pau

Das festas de São Gonçalo

E do cantar do meu galo

E das noites de sarau.

 

Hoje acordei com saudade

Das cabras e dos carneiros

Do futebol nos terreiros

E da minha mocidade

Dos gatos e dos cachorros

Das caçadas lá nos morros

Sem medo de assombração

Lembro a relva molhada

E também da cavalgada

Em meu cavalo alazão.

 

Hoje acordei com saudade

Das debulhas do feijão

Do cântico do carão

Da nossa propriedade

Do pão de milho e angu

Carne de peba e tatu

Me faz lembrar de verdade

Não mais pra aguentar

Logo vou ao meu lugar

Para matar a saudade.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar

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