quinta-feira, 28 de junho de 2012

1.477 – HOJE EU VI UMA ROLINHA

Autor; Erivaldo Alencar.

Letra; 22 04 2012 e música;


Hoje eu vi uma rolinha
Na copa duma aroeira
Ela cantava sozinha
No meio da capoeira.

Cantava em liberdade
Como se agradecendo
Ao Deus por sua bondade
Por livre está vivendo.

Ao cair do arrebol
Ela contemplava o sol
Ao sumir na amplidão

Ao aproximar da noite
O vento dando açoite
Sem medo do gavião.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar

1.476 - – QUEM É AQUELA MALUCA

Autor; Erivaldo Alencar.

Letra; 22 04 2012 e música;


Quem é aquela maluca
Que acaba de entrar
Toda fantasiada
Que não para de dançar.

Ela se rebola toda
Roda mais que carrapetas
Sem vergonha de mostrar
As suas pernas zambetas.

Pula mais que um cancão
Parece Cobra-de-Cipó
Igual Saci Pererê
Pulando com a perna só.

Ela se entorta toda
Arrasta-se pelo chão
Pula pra frente e pra trás
Ela é dina do salão.

Joga os braços de lado
Pra frente seu dianteiro
Pisando pinicadinho
Rebolando seu treazeiro

Com toda sua loucura
Ela dá conta do recado
Nunca vi mulher igual
Na dança do requebrado.

O salão todo parou
Só pra ver ela dançar
Apesar de sua idade
Ninguém viu ela cansar.

Na dança ela armou
Barraco fez arapuca
Foi embora e ninguém soube
Quem é aq2uela maluca.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

1.475 – QUEM FOI EU

Autor; Erivaldo Alencar.

Letra; 21 06 2012 e música;


Tenho tentado de tudo
Alcançar algo na vida
Eu tenho feito de tudo
Nesta estrada comprida
Tenho feito o impossível
Pra ter a missão cumprida.

Busquei em muitas escolas
Cursar uma profissão
Diversos cursos eu fiz
Até comprei violão
Também comprei um teclado
Não aprendi nada não.

No sertão eu fui vaqueiro
Também trabalhei na roça
Fiz cerca, abri cacimbas,
E morei numa palhoça
Montei cavalo encilhado
E traquejei com carroça.

Carreguei água com pote
E amansei burro brabo
Fui experto na roça
Na enxada fui de cabo
Na pista de vaquejada
Derrubei boi pelo rabo.

Também cacei de bodoque
Espingarda e baladeira
Catei feijão, quebrei milho,
Fiz toco na capoeira
Com meu machado afiado
Eu derrubei aroeira.

Com um enxadeque velho
Eu cavei covas no chão
Na terra molhada plantei
Milho, arroz e feijão.
Sementes de jerimum
De melancia e melão.

Também andei em cangalha
Botei água em galão
Cacei abelhas melíferas
Dancei forró no sertão
Eu fui muitas cantorias
E peguei brasas com a mão.

Nas festas de São João
Eu também pulei fogueira
Eu soltei bombas e craques
E rojão a noite inteira
Para fazer o fogueirão
Eu cortei a catingueira.

Assei milho na fogueira
Também assei jerimum
Pamonha e canjica doce
Também comi canapum
E sopa de beldroega
Feita com araticum.

Também tomei no curral
Leite mugido na hora
Eu fiz caçada a noite
E dei fumo pro caipora
Também vi assombrações
Antes do romper da aurora.

Eu andei fora de hora
Nas quebradas do sertão
Briguei com raposa louca
Insultei camaleão
Fugi dum touro valente
Peguei cobra com a mão.

Sem necessitar de armas
Eu sempre fui vencedor
Eu sou crente em Jesus
Filho de Deus criador
No Divino Espírito Santo                                                                                                                                                                           O meu santo protetor.

Pratiquei muitas proezas
Nada mau me aconteceu
Gozei minha mocidade
Saúde Jesus me deu
Hoje tou velho e cansado
Lembrando de quem foi eu.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar

1.474 – ENVELHECI E CANSEI

Autor; Erivaldo Alencar.

Letra; 21 06 2012 e música;;

Eu sou filho de pais pobres
Na pobreza me criei
Nasci na zona rural
Escola não freqüentei.

Fui muito cedo, pra roça
Aos cinco anos de idade
As vezes de sol a sol
Eu trabalhei com vontade.

Aprendi todos ofícios
Do trabalhador rural
Eu amansei burro brabo
Peguei boi no matagal.

Fui querido das meninas
Festeiro, namorador,
Alegre introvertido
Brincalhão respeitador.

Fui amigo do amigo
Inimigo respeitei
E por toda minha vida
Felicidade busquei.

Curti minha meninice
Gozei minha juventude
Pra puder vencer na vida
Eu fiz de tudo que pude.

Trabalhei licitamente
Pra puder ganhar o pão
Eu fiz projetos e planos
Com os pés firmes no chão.

Sempre busquei ser idôneo
E vencer com coerência
Defendi a natureza
Lutei contra a violência.

Eu combati a miséria
Abuso e poluição
De certa forma eu vejo
Todo esforço em vão.

Dos meus sonhos no passado
Tão poucos realizei
Eu vivi de esperança
Envelheci e cansei.

Francisco Erivaldo Pereira Alencar

1.473 – LÁ VEM O TREM

Autor; Erivaldo Alencar.

Letra; 20 06 2012 e música;


Lá vem o trem chegando
Na estão da cidade
Correndo e buzinando
Em alta velocidade.

Ao chegar na estação
Abre as portas ligeiro
Em meio à multidão
Sai e entra passageiro.

Poucos minutos demora
Bate o sino vai embora
Cantando café com pão

Dá um apito saudoso
E com seu jeito pomposo
Vai pra outra estação.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

1.472 – QUE FOI MEU AMOR

Autor; Erivaldo Alencar.

Letra; 20 06 2012 E MÚSICA;


Não vejo motivo
Pra tanta zoada
Esta palhaçada
Que está fazendo
Pois não tem sentido
Tanta brigaria
Sua histeria
Tá me ofendendo.

Diz coisa com coisa
Sem nenhum sentido
Sinto-me perdido
Perto de você
Não aguento mais
Com tanta intriga
Tornou-se inimiga
Bem sabe o porque.

Já faz muito tempo
Que tenho notado
Que não sou amado
Por ti meu amor
De um doce lar
De amor e festa
Agora só resta
Desavença e dor.

Exteriormente
É uma pessoa
Fingindo de boa
A todos engana
Comigo a sós
Você se esmera
Virada em fera
Você me esgana.

A todo momento
Você me ameaça
Eu vejo a desgraça
Rondando por perto
Perdeste o controle
E a noção de vida
Feito uma perdida
Num grande deserto.

Não tenho motivos
Pra ter alegria
Só a garantia
De mais confusão
Eu sou uma vítima
Da falta de amor
E do dissabor
Da desunião.

Se é de viver
Brigando assim
É melhor em fim
Ter que separar
Segue teu caminho
Seguirei o meu
Nem o nome seu
Eu quero lembrar.

Esqueça de mim
Vá feliz viver
Não quero mais ter
Desavença e dor                                                                                                                                                                                        Eu vou pra bem longe
Pra não mais te ver
Tentar esquecer
Que foi meu amor.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

1.471 –QUEIXO CAIDO

Autor. Erivaldo Alencar.

Letra; 07 06 2012 e música;


Cai o pobre, cai o rico,
Cai o pau, a roçadeira,
A inchada , a mangueira,
Cai o João e o Chico
Do pássaro cai o bico
O roubado e o bandido
O frouxo e o destemido
O gatuno e o ladrão
Cai à perna, cai a mão.
Nos dez de queixo caído.

Cai adulto e criança
Cai a mulher e o homem
Cai o bicho lobisomem
A fofoca e a lambança
Cai o juro da poupança
O achado e o perdido
Também cai o réu punido
Cai a palhada da cana
O fruto da cajarana
Nos dez de queixo caído

Cai o bruxo a feiticeira
O homem trabalhador
Tambem cai o cantador
 Médico, a enfermeira,
Também cai a lapiseira
Do bolso do esquecido
O leão enfurecido
Cai a rima do poeta
Cai a graça do pateta
Nos dez de queixo caído.

Cai a calça do palhaço
Da viúva cai a saia
A gaivota cai na praia
O homem cai no fracasso.
A poeira no terraço
Memória do esquecido
Cai o cara enxerido
Na mão do policial
Cai o valor do Real
Nos dez de queixo caído.

Do nariz cai o catarro
Má palavra cai da boca
Também cai a mente oca
A velha casa de barro
Com as plantas cai o jarro
Também cai o pau banido
Cai a água no ouvido
Cai a cerca do quintal
Cai a roupa do varal
Nos dez de q1ueixo caído.

Cai o peixe no anzol                                                                                                                                                                                Na terra cai o sol quente
O frio encima da gente
A muriçoca no lençol
Do espaço cai o sol
Na mulher caldo fervido
Do morto cheiro fedido
Do gambá cai o mau cheiro
Também cai o violeiro
Nos dez de queixo caído.

Cai a brasa do fogão
Na eleição o político
Do trabalho cai o crítico
A luxuosa mansão
Os dedos caem da mão
Na briga cai o ferido
Por terra cai o vencido
O jogador cai no campo
E no mato o pirilampo
Nos dez de queixo caído.

O bêbado cai no chão
O pássaro na arapuca
Da cabeça a peruca
O briguento em confusão
Pecador em tentação
O namoro escondido
Também cai o prevenido                                                                                                                                                                        Na farsa de um ladrão
Também cai o campeão
Nos dez de queixo caído.

Também caio o advogado
Quando perde a questão
A fama do valentão
Cai a fardo do soldado
Também cai o delegado
O moleque atrevido
Cai o padre enxerido
E todos os feitos meus
Só não o poder de Deus
Nos dez de queixo caído.


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.