domingo, 11 de outubro de 2020

2.656 - VERSANDO QUADRÃO NA ROÇA.

 

Autor: Erivaldo Alencar.

 

Letra: 11 10 2020 e música:

 

 

Vou recordar meu passado

Quando nasci fui criado

No interior do estado

Morando numa palhoça

Ainda tenho lembrança

De quando eu era criança

Eu cresci na esperança

Versando quadrão na roça.

 

Eu lembro da aroeira

No meio da capoeira

Que sem dó virou fogueira

Grande árvore tão grossa

Do meu pé de cajarana

Das ramas da jitirana

E do sítio de banana

Versando quadrão na roça.

 

Da casa onde nasci

Da outra onde cresci

Com meus irmãos eu vivi

Na casa que era nossa

Lembro o gado curral

Montado no animal

Campeei no matagal

Versando quadrão na roça.

 

Ao canto da passarada

Levantei de madrugada

Em noite enluarada

Eu desbanquei minha foca

Namorei linda meninas

Percorri verdes campinas

Tomei banhos de neblinas

Versando quadrão na roça.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

2.655 - CONSELHO DE POETA.

 

Autor: Erivaldo Alencar.

 

Letra: 11 10 2020 emúsica:

 

Como poeta escritor

Um conselho eu vou dar

Se acha que é poeta

É necessário provar

Poesia é pra poeta

Rimada ou sem rimar.

 

Pra poder poetizar

Precisa conhecimento

Como funciona a coisa

Seguir seu procedimento

Antes escolher um assunto

Estando sempre atento.

 

Repente é o instrumento

Que vem da imaginação

Pra escrever ou versar

Ter fértil inspiração

Buscar de todas as formas

Aproximar da perfeição.

 

Lidar com dedicação

Com harmonia e respeito

Não difamar seu colega

Procurar andar direito

Usar palavras corretas

Com humildade e preceito.

 

Para tirar bom proveito

Tem que dá boa impressão

Arquitetar as estrofes

Com domínio e atenção

Usar fórmulas corretas

Poetizar com o coração.

 

Sem escandalização

Sem se julgar o maior

Mas fazer o impossível

Para fazer o melhor

Não andar de salto alto

Pra não cair na pior.

 

Busque fazer o melhor

Não faça o outro pateta

Ouças os seus companheiros

Ao versar siga uma meta

Assimile com atenção

O conselho de poeta.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

2.654 - NÃO VALE BATER NO MEU OMBRO.

 

Autor; Erivaldo Alencar.

 

Letra: 11 10 2020 e música:

 

 

Não vale bater no meu ombro e dizer

Que eu sou um homem trabalhador

Pois  trabalho quase a ponto de morrer

E ninguém atribui-me qualquer valor.

 

Eu não preciso ser paparicado

Preciso condições pra melhor viver

Pelos elogios muito obrigado

Mas isto não muda meu modo de ser.

 

Não vale dizer que eu sou disposto

Pois viver como vivo me dar desgosto

Se ganho tão pouco e tão pouco tenho.

 

É sonho perdido sonhar com riqueza

Se a realidade é viver na pobreza

Se para vencer eu muito me empenho.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

 

2.653 - SE EU PUDESSE IRIA AGORA.

 

Autor: Erivaldo Alencar.

 

Letra; 11 10 2020 e música:

 

 

Se eu pudesse iria agora

Visitar o meu sertão

Sem ter dia sem ter hora

Pra voltar do meu rincão.

 

Adentrar a verde mata

Visitar minha ex-morada

Cantar uma serenata

Junto com a passarada.

 

Na sombra do juazeiro

Ver correr o nevoeiro

Deitar de papo pro ar.

 

Depois andar pela selva

Deliciar sobre a relva

Sem pressa para voltar.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

2.652 – PRAÇA.

 

Autor: Erivaldo Alencar.

 

Letra: 09 10 2020 e música:

 

 

Esta manhã está nublada

E as ruas cheias de gente

Que ventania danada

Com temperatura quente.

 

Mas quando for meio dia

O sol irá esquentar

A ponto de dar agonia

Ao ver a pele queimar.

 

Os transportes circulando

Povo nas lojas comprando

Produtos quase de graça.

 

Meio a poluição sonora

Espero que chegue a hora

Pra ir embora da praça.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar

domingo, 4 de outubro de 2020

2.651 - APENAS SOU EXIGENTE.

 

APENAS SOU EXIGENTE.

 

Autor: Erivaldo Alencar.

 

Letra: 04 10 2020 e letra:

 

 

Para fazer o que faço

Tem que ser inteligente

Para fazer como faço

Tem que ser experiente

Tenho orgulho em pertencer

A profissão do repente.

 

Sei que não sou diferente

Pra diferente versar

Apenas sou exigente

Na hora de versejar

Tenho amor no que faço

E adoro poetizar.

 

Fazer versos sem rimar

Igual comida sem sal

Na poesia popular

Versejar é mui legal

Rimado metrificado

Fica sensacional.

 

A poesia original

Do meu nordeste querido

A profissão do repente

Onde eu estou inserido

Dom de escrever poesias

Por Deus eu sou protegido.

 

Sou poeta destemido

Escrevo pro povo ler

Zelo pela a tradição

Buscando a defender

Farei o que for possível

Pra não a deixar morrer.

 

Precisamos entender

Que é preciso estudar

O poeta é um sábio

E tem que se preparar

Sair do analfabetismo

Pra cultura melhorar.

 

Não deixemos nos levar

Por gente mal informada

Que denigre a poesia

Quando escrita e cantada

Sem o dom da poesia

Não consegue fazer nada.

 

 

Nem toda gente estuda

Sabe fazer poesia

É um dom dado por Deus

Que me dar muita alegria

Uma arte muita antiga

Que nos dá muita alegria.

 

Versar e não dar garantia

Não faz parte do repente

Gosto da coisa bem feita

Não me faz ser diferente

Eu não sou mais que ninguém

Apenas sou exigente.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

2.650 - PRESERVAR A TRADIÇÃO.

 

Autor: Erivaldo Alencar.

 

Letra: 04 10 2020 e música;

 

 

Eu nasci no Ceará

Lá no sítio Comboeiro

Cidade de Acopiara

Sou cidadão brasileiro

Sou poeta escritor

E filho de violeiro.

 

Meu pensar é verdadeiro

Tenho boa intuição

Eu conclamo os companheiros

Nunca fugir da razão

Juntos com unhas e dentes

Preservar a tradição.

 

Pois em nossa região

Nós temos uma cultura

A profissão do repente

Exercida com bravura

Por cantador repentista

Com inteligência e postura.

 

Feita com desenvoltura

A arte da cantoria

Repentes feitos na hora

Com estrutura e maestria

Autênticos cantadores

Em versos dão garantia.

 

Eu faço apologia

A arte da inteligência

Pra poder fazer repente

Precisa ter competência

O repente está presente

Em toda nossa existência.

 

É dom da onipotência

Uma ciência completa

Pra poder fazer repente

É preciso ser poeta

Um cantador é um sábio

Com inspiração repleta.

 

No mundo não se deleta

Dom de fazer poesia

É cultura nordestina

A arte da cantoria

Preservar o que é nosso

Minha maior alegria.

 

 

Cantoria é alegria

É cultura nordestina

Dezenas de modalidades

Em estrofe repentina

Remada metrificada

Em oração de rotina.

 

Com inspiração domina

A livre literatura

Esbanja conhecimento

Com esboço e desenvoltura

No improviso e na escrita

Poesia é cultura.

 

Em noite clara e escura

Cantador se faz presente

Em palco ou pé de parede

O cantador faz repente

Em motes ou desafios

Alegra o peito da gente.

 

O repentista é valente

Todos podem perceber

Sem o apoio necessário

Nunca vai desvanecer

Juntos jamais deixaremos

Nossa cultura morrer.

 

A cantoria defender

É nossa obrigação

Com recursos ou sem recursos

Lutemos de coração

Todos nós temos o dever

Preservar a tradição.

 

 

Francisco Erivaldo Pereira Alencar.