Autor; Erivaldo Alencar.
Letra; 19 07 2009 e música; 04 102010.
Vou aqui contar um caso
Que me causou grande espanto
Se é verdade ou não
É claro que não garanto
Se fosse verdade seria
Doloroso, adianto.
É um caso muito triste
Em dizer eu me afoito
De um homem que comeu
Um espelho com biscoito
Este fato aconteceu
No ano cinqüenta e oito
Ele morava na roça
Na Fazenda Alvorada
Bem distante da cidade
Em região isolada
A venda mais perta ficava
Duas léguas afastada
Naquele tempo o povo
Era muito atrasado
Bem diferente de hoje
Um povo mais avançado
Com rádio, TV, internet.
Muito mais bem informado.
Num certo dia o homem
Resolveu ir à bodega
Para fazer uma compra
Naquela pequena adega
Ao chegar nesta bodega
Em um banco se aprega.
Quase morrendo de fome
Perguntou pro bodegueiro
Que tem aí pra comer
Vamos responda ligeiro
Do jeito que eu estou Como até espinheiro
Tenha calma meu amigo
O bodegueiro respondeu
Doce, biscoito, farinha.
Qual deles que escolheu
Oito pães secos de trigo
Feitos pelo seu Ageu
O homem faminto diz
Amigo porque demora
Traz o biscoito redondo
Bota no balcão agora E um litro de guaraná
Que a fome me apavora
Ligeiro abriu o saco
E sem nada perceber
Que junto tinha um espelho
Que não deu pra ele ver
De mãos cheias de biscoitos
Ele começou comer
E junto com o biscoito
O espelho engoliu
A fome era tão grande
Que ele nada sentiu
Para saciar a fome
Ele inda repetiu
Depois da barriga cheia
De todos se despediu
Com sua feira nas costas
Rapidamente saiu
E na curva do caminho
De vista ele sumiu
Bem no meio da viagem Começou se perturbar
Com uma dor de barriga
Não deu mais pra esperar
Bem na beira do caminho
Desceu a calça foi cagar.
Não pode mais esperar
Pois a barriga doía
Quanto mais vontade dava
O coitado se espremia
Uma peidaria doida
Mas a merda não saia
O espelho engolido
Com o vidro para fora
Tapou a boca do ânus
E ele se apavora
Agonizando de dor
Sem defecar ele chora
Mas logo apareceu
Um bondoso cidadão
Humildemente pediu
Senhor de bom coração
Veja aqui o meu estado
Tenha de mim compaixão
Este homem conduzia
Um facão e um granadeiro
O cidadão respondeu
Tenha calma companheiro
Vire o foreba pra mim
Queu vou te salvar ligeiro
Sem nenhum outro recurso
Cagão pra ele virou
Ele se viu no espelho
E para o cagão falou
Aí tem um cangaceiro
Deu adeus e se mandou
O miserável do homem
Se vendo com tanta dor
Gemia desesperado
E gritava, por favor,
Alguém venha me salvar
Peço por nosso Senhor
Com certo tempo depois
Outro homem apareceu
Com uma carga de lenha
No lombo de um lopeu
Disse para o lenheiro
Salva-me amigo meu
O lenheiro perguntou
Que aconteceu com você
Ele respondeu chorando
Vou agora lhe dizer
Amigo tou entupido
Se não cagar vou morrer
O lenheiro respondeu
A sua dor me intriga
O que que você comeu
Pra causar tanta fadiga
Fique posicionado
E aperte a barriga
Vire o traseiro pra mim
Queu vou te desentupir
Quando o cagão se virou
Ele diz vou inquirir
Que estrago feio é este
Como pode resistir
Disse o cagão que foi
Deixe de conversa e venha O lenheiro respondeu
Amigo não tenho senha
Lá dentro tem um jumento
Com uma carga de lenha
Amigo que me desculpe
Como que ele passou
Por sua boca e garganta
E você não o notou
Vai morrer e não tem jeito
Um bom parto queu já vou
Ele disse tou lascado
Pra mim não há salvação
Já estou soando frio
Não solto nenhum tufão
Nem vela aqui não tem
Pra botar na minha mão
Ele disse ó Jesus
Tenha de mim compaixão
Não me deixe morrer a mingua
Ouça minha oração
Mande alguém pra tirar
Desta má situação
Não sei por que fui comer
Tanto biscoito na bodega Agora tou entupido
Minha barriga não sossega
De tanto fazer esforço
Eu já quebrei uma prega
Nisto surgiu um menino
Com cara de valentão
Armado com um bodoque
E muitas pedras na mão
O homem quando o viu
Disse é minha salvação
Ele chamou o menino
E lhe pediu, por favor,
Amigo tou entupido
Me acabando de dor
Venha me desentupir
Enviado do Senhor
O menino respondeu
Deixe me ver cidadão
Cara aí tem um menino
Com um bodoque na mão
Se eu atirar primeiro
Ele não tem escapação
Ele deu uma pedrada
O espelho foi quebrado
O homem se desentupiu
Foi merda pra todo lado
Nunca mais comeu biscoito
Com espelho misturado
Francisco Erivaldo Pereira Alencar.
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