terça-feira, 13 de março de 2012

681 – ZÉ DO CAÇOAR.

Autor; Erivaldo Alencar.

Letra; 30 11 2006 e música; 28 06 2007.

Eu vou contar a história
De um simples cidadão
Humilde trabalhador
Elegante bonitão
De nome Zé do Caçoar
Nascido lá no sertão

O Zé morava no sitio
Pras bandas de Acopiara
Ele inda era moço
Duma disposição rara
Um jovem de bom propósito
Qualquer trabalho encara

Um rapaz de boa índole
Que foi muito bem criado
Muito querido por todos
Por seus pais foi educado
Todos ofícios da roça
Foi mui cedo ensinado

Seu pai um agricultor
Também filho do sertão
Sendo pai de doze filhos
Os criou com devoção
Querido e respeitado
Por todos da região

Zé não tinha inimigo
Era um homem da paz
Mui querido das meninas
Jovem de muito cartaz
Sempre pronto pra servir
Um excelente rapaz

Sempre levantava cedo
Cuidava de toda lida
Os seus pais se orgulhavam
Por sua meta cumprida
O jovem Zé cultivava
Grande ambição na vida

Naquele ano registrou-se
Grande seca no sertão
Zé do Caçoar ficou triste
Ver morrer a criação
Disse pros pais vou embora
Com sua santa benção

Se despediu de seus pais
Botou os pés na estrada
Montado numa poldrinha
Baixeira bem arreada
Seguiu o rumo da venta
Longe da terra amada

Pras bandas do Iguatu
Morava um fazendeiro
Dono de muita riqueza
Muito gado e dinheiro
Homem de grande prestígio
E senhor de cangaceiros

O coronel Gideão
Homem cruel e valente
Mais forte que Lampião
E bravo como serpente
Um homem sem coração
Pai duma jovem descente

Sua filha Izabel
Inda na menoridade
Educada e bonita
Boa escolaridade
E divergente do pai
Com sua simplicidade

Vivia presa em casa
Sem a menor liberdade
Vigiada por capangas
Não fazia sua vontade
Castigada se infrigir-se
Do pai a autoridade

Depois de andar bastante
Zé do Caçoar chegou
        Na Fazenda Gabiroba
Da poldra desapeou
Deu boa noite pra todos
E não se intimidou

Com boa noite também
Respondeu o fazendeiro
Donde vem pra onde vai
Que deseja cavaleiro
Venha sentar-se conosco
E comer do meu carneiro

Zé do Caçoar falou
Eu vim para trabalhar
Preciso ganhar dinheiro
Não vou lhe incomodar
Peço ceder um cantinho
Pra eu poder descansar

Muito bem meu cavaleiro
Diz o Coronel sorrindo
Pegou a rede lhe deu
Favor se sinta bem vindo
O Zé tava enfadado
Caiu na rede dormindo

No outro dia bem cedo
Levantou o fazendeiro
Vendo que o Zé dormia
Logo mandou um cangaceiro
Vai acordar sem demora
E me traz o forasteiro

Nisto Caçoar chegou
Lhe disse de prontidão
Estou aqui Coronel
Que queres de mim patrão
Mas se não tiver trabalho
Eu já vou embora, então.

O Coronel lhe falou
Não tenha pressa rapaz
Coma o lanche e depois
Você vai com o capataz
Tem um serviço ali
Quero ver se você faz

Caçoar foi aprovado
Pelo senhor Fazendeiro
Ganhou sua confiança
Na profissão de Vaqueiro                                                    
O Coronel satisfeito
Lhe pagou muito dinheiro

A mucama da Izabel
Quando viu o Caçoar
Ficou impressionada
E correu pra avisar
Tem um moço na fazenda
Pra sinhazinha se casar

Izabel disse mucama
Isto é um pesadelo
Nasci para vitalina
Na vida jamais vou tê-lo
Procure uma maneira
Pois eu quero conhecê-lo

Ela disse o seu pai
Viajou para cidade
Caçoar ta no curral
Tome sua liberdade
Vai no curral conhecê-lo
Veja que falo verdade

Izabel foi pro curral
Pra conhecer Caçoar
Ao vê-lo ficou surpresa
Consigo, pois a falar
Nem que o meu pai não queira
Com ele vou me casar

Ele disse Izabel
Você quer casar comigo?
Ela disse Caçoar
Favor me leva contigo
Vamos embora agora
Tamos correndo perigo

Ele montou na poldrinha
Na garupa levou ela
Mas sempre preocupado
Com a volta do pai dela
Voltou pra casa dos pais
Levando a moça mais bela

Quando o Coronel voltou
Um capanga avisou
A Izabel foi embora
O Caçoar a levou
Coronel enfurecido
Vamos pegar ordenou

Quando o Coronel chegou
No sitio do Caçoar
De longe o avistou
Com Izabel a descansar
Diz pros cabras peguem ele
Que eu mesmo vou capar

Caçoar pulou na frente
Com uma arma na mão
Izabel o acompanhou
No meio da escuridão
Balas cortando espaço
Cabras tombando no chão

Todo o bando morreu
Só o Coronel ficou
Sozinho, tentou correr.
Mas Caçoar lhe pegou
Ele disse não me mate
Que minha filha lhe dou

Izabel é filha única
É tua minha riqueza
Pro casamento vieram
O povo da redondeza
Com o genro e a filha
Viveu feliz com certeza


Francisco Erivaldo Pereira Alencar.

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