Autor; Erivaldo Alencar.
Letra; 21 01 2007 e música; 13 07 2007.
Eu vou narrar neste cordel
Uma história verdadeira
Dum médico sanitarista
Filho da terra brasileira
Oswaldo Gonçalves da Cruz
Homem de brilhante carreira
Seus pais Bento Gonçalves da Cruz
E Amália Taborda Bulhões
Paulista da zona serrana
Nascido naqueles rincões
Homem de boas intenções
Nasceu no século dezenove
Setenta e dois foi o ano
Em cinco do mês de agosto
Num centro interiorano
Com seus pais deixou sua terra
Por um grande centro urbano
Morando no bairro da Gávea
Lá na capital do Império
Com cinco anos de idade
Assumiu compromisso sério
Oswaldo entrou na escola
Para estudar sem mistério
Seu pai um médico de nome
Mui respeitado na cidade
Com quatorze anos de vida
Ingressou numa faculdade
Veiculação microbiana
Sua especialidade
Mil oitocentos noventa e dois
Com vinte anos de idade
Oswaldo Cruz se forma médico
Com grande notoriedade
Foi diplomado horas antes
Do seu pai, ir pra eternidade.
No ano de noventa e três
Doutor Oswaldo se casou
Com Dona Emilia da Fonseca
Uma grande prole formou
Dos seis filhos qu’ele foi pai
Só teve um que ele não criou
Elisa foi a primogênita
Bento nasceu em seguida
Hercilia e depois Oswaldo
Zahra cedo perdeu a vida
E com seu caçula Walter
Teve sua prole cumprida
Oswaldo Cruz tinha o habito
De escrever cartas em prosa
Pra sua esposa Emilia
Bela mulher espirituosa
A sua querida Miloca
A pianista virtuosa
Oitocentos noventa e sete
Lá em Paris foi estudar
Lá no Instituto Pasteur
Pra se especializar
Pra em microbiologia
Poder se aperfeiçoar
Na área de sorologia
Ele se especializou
Também medicina legal
Em Paris ele estudou
Em urologia também
Ele se aperfeiçoou
Numa fábrica de vidros
Lá em Paris estagiou
Ampolas, provetas, pipetas.
A fazer ele decorou
A formula como faze-las
Ele trouxe quando voltou
Retorna em noventa e nove
Pra trabalhar na Corcovado
Uma fábrica de tecidos
Tem seu consultório montado
Na fábrica ocupou o cargo
De Bento seu pai estimado
Em Paris ele aprendeu
A arte de fotografar
Comprou uma câmara e trouxe
Pra seus trabalhos registrar
Laboratório fotográfico
Na sua casa foi montar
Ainda em noventa e nove
A convite do presidente
Ele se integrou a equipe
Que foi pára Santos, urgente.
Devido à peste bubônica
Que entrava no continente
No ano mil e novecentos
Oswaldo Cruz foi nomeado
O diretor da área técnica
Dum instituto recém-criado
Soroterápico Federal
Lá em Manguinhos instalado
Para a fabricação do soro
No território nacional
Foi criado o Instituto
Soroterápico Federal
Instalado lá na fazenda
Manguinhos local ideal
O soro contra a bubônica
Oswaldo ajudou criar
Pois com o soro muitas vidas
O doutor ajudou salvar
Não fosse ele outra história
Nós teríamos que contar
No ano dois ele assume
Do instituto a direção
Em três ele foi nomeado
Pelo governo da nação
Diretor da saúde pública
Com uma difícil missão
Erradicar as três doenças
Do território brasileiro
Febre Amarela, varíola.
Assolam o pais inteiro
E além da Peste Bubônica
Sanear o Rio de Janeiro
Em mil novecentos e quatro
Por sua determinação
É aprovada a lei que torna
Obrigatória a vacinação
Contra a varíola no Rio
Acabou em revolução
Pois a Revolta da Vacina
Logo foi desencadeada
Gente morta, presa e ferida.
Bondes e carroças viradas
Confrontos generalizados
E muitas lojas saqueadas
Com a Revolta da Vacina
Rio de Janeiro parou
O governo perdeu o controle
Toda a cidade fechou
Só com a revogação da lei
Que a paz se normalizou
Na campanha contra a bubônica
O doutor Oswaldo criou
Esquadrão de caça aos ratos
Cinqüenta homens comandou
Em armazéns, casas, cortiços.
Hospitais e lixos caçou
Espalhavam o raticida
E removiam o lixão
Criou o comprador de ratos
Que o fez disto profissão
Buscavam ratos pra vender
No meio da população
Contra a Febre Amarela
Criou Brigadas Mata Mosquitos
Formadas por oitenta e cinco
Homens contra estes malditos
O stegomyia fasciata.
Bicho de nome esquisito
Os matas mosquitos percorriam
Jardins, porões, quintais, telhados.
As brigadas desinfetavam
Bueiros, ralos e alagados.
Lavanda todas caixas dàgua
E depósitos encontrados
Em setembro do ano cinco
Ele parte em expedição
E de norte a sul visitou.
A trinta portos da nação
E em cento e onze dias
Em todos fez a inspeção
Mas contra a tuberculose
O plano dele foi frustrado
O Governo Afonso Pena
Se mostrou desinteressado
Ele não pôde fazer nada
Em favor dos contagiados
Oswaldo propunha medidas
De combate e tratamento
Além dos ricos também os pobres
Assistência e isolamento
E uma aposentadoria
Pra todos em acolhimento
Em mil novecentos e sete
A febre foi erradicada
Recebeu por merecimento
Em um congresso outorgada
A linda medalha de ouro
Foi no seu acervo guardada
Sente os primeiros sintomas
De sua doença renal
Em oito volta ao Brasil
Como herói nacional.
Já em nove se exonera
Do cargo diretor geral
Dedica-se a direção
Do seu Instituto Manguinhos
Ex-Instituto Soroterápico
Cuidado com muito carinho
O atual Oswaldo Cruz
Naquele mesmo castelinho
Em mil novecentos e dez
Ele fez outras expedições
Ele foi para Porto Velho
Pois estava em construção
A Ferrovia do Diabo
Como chamavam na região
Muita gente de lá morreu
De malária e pneumonia
Mas a beribéri também
Tornou-se em epidemia
Oswaldo Cruz impôs a regras
Quem não cumprisse ele punia
Doutor Oswaldo foi chamado
Pelo governo do Pará
Pois lá a Febre Amarela
Começava se alastrar
Com a brigada em seis meses
Pode a febre erradicar
Entre os anos onze e treze
Oswaldo supervisiona
Varias campanhas sanitárias
Percorrendo zonas por zonas
No Sul, sudeste e nordeste.
Centro oeste e Amazonas
Toma posse na Academia
Brasileira de Letras, no Rio.
Em quatorze vai a Paris
Em quinze retorna ao Brasil
Combate a Formiga Saúva
Com inteligência e brio
Em dezesseis no instituto
Encerras suas atividades
Em Petrópolis foi morar
Devido sua enfermidade
A pedido do filho Bento
Se fez prefeito da cidade
Como homem audacioso
Um programa elaborou
Tentou implantar na cidade
Um pais que tanto sonhou
Mas com seis meses veio a morte
Seu programa não realizou
Oswaldo Gonçalves da Cruz
Quarenta e quatro anos viveu
Dia onze de fevereiro
De dezesseis ele morreu
Entre parentes e amigos
Em um carnaval faleceu
A memória de Oswaldo Cruz
Entre nós perpetuará
Em livros, cédulas moedas
Em selos postais estará
Em medalhas, ruas e praças.
Seu nome permanecerá
Como nomes de seres vivos
Entre os quais nós encontramos
O trypanosoma Cruzi
Protozoário que destacamos
Causador da doença de chagas
Doença que não suportamos
O anopheles oswaldoi
Mosquito transmissor da malária
O oswaldostrongylus cruzi
Verme parasita aviária
Oswaldotrema nacinovici
Verminose parasitária
Até em Paris seu nome
A história o lembrará
Como nome de seres vivos
Seu nome permanecerá
No coração dos brasileiros
Pra sempre ele viverá.
Francisco Erivaldo Pereira Alencar.
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